Surgimento de um vampiro! Vampiro de primeira geraçao!
Meu nome é Gaius Spurius Rufus, mas hoje sou conhecido pela alcunha de Arthur, sou um vampiro de primeira geração, isso quer dizer que meu corpo precisa se alimentar de sangue com mais frequência do que um vampiro de sétima geração. Quanto mais perto do fim da maldição menos necessidade de sangue e mais humano se torna o vampiro.
Sou Romano, fui um legionário, servir na Legio X Equestris ou Décima Legião Equestre. Esta legião foi criada por Júlio César para atentar contra os gauleses na investida de Roma contra a Gália.
Era o ano de 52 a.C, a resistência gaulesa já estava por um fio. Vercingetorix e seus comandados se concentraram em Alésia. Nós os seguimos e fizemos um cerco. Em uma noite, quando já estava fadigado pelo trabalho de circunvalação de Alésia eu não resisti às investidas de meu cansaço, fui atrás de um lugar mais sossegado no acampamento, afastei muito do centro do cerco e procurei uma região isolada, quase fora do alcance das vistas de nossas sentinelas.
Dormi sentado ao chão, descansava minhas costas em um tronco de madeira velho. Já estava tomado pelo sono, quando fui atacado, no momento eu não vi nada, estava bastante escuro, a lua se escondia nas nuvens e por estar bem longe do centro do acampamento ali as tochas do cerco não iluminavam.
Aquela coisa tinha mãos geladas, forma parecida com a humana, força descomunal e seus olhos brilhavam como fogo, tendia para o amarelo e vermelho. A criatura me levantou, fiquei a quase um metro do chão. A besta fera fitou os meus olhos antes de me arremessar em direção oposta ao cerco, caí de bruços, ainda estava meio tonto quando aquele monstro sombrio levantou minha cabeça, esticou meu pescoço e desferiu uma mordida.
Já quase sem forças e absurdamente atordoado com aquela situação, lembrei-me que em minha cintura carregava um pugio – um punhal. Já quase desfalecido saquei-o e com as poucas forças que me restaram rasguei seu pescoço, por imediato a criatura me soltou e apavorada correu em direção a floresta que ficava ali perto.
Eu já sem forças desmaiei logo em seguida. Quando acordei eu estava bem longe de Alésia e coberto de sangue. Estava totalmente confuso, o que eu queria naquele momento era apenas encontrar alguém para me ajudar, precisava de roupas para me proteger do sol, pois estava quase nu. Caminhei por horas, a luz do sol me castigava, coisa que nunca me acontecera nem mesmo quando nossa legião cavalgava o dia inteiro com sol escaldante.
Senti minha vista embaçada com a luz do dia e minha pele já ardia de uma forma indescritível, estava desfalecendo quando um homem, de grande barba e cabelo branco, me acudiu. Depois disso e voltei a desfalecer.
Quando acordei, já era noite, e foi quando percebi como era apaziguadora o frescor da Lua. Meio tonto ainda, demorei a perceber onde estava. Quando consegui me concentrar, vi que estava no meio de uma floresta em uma clareira aberta nela. Bem no centro dessa clareira havia uma construção de carvalho que arremetia a uma grande mesa retangular, porém sem cadeiras. Em cima dessa mesa havia um javali ainda vivo e preso pelos pés. Eu, surpreendentemente, conseguia ouvir os seus batimentos cardíacos, a cada batida minha fome aumentava, não aguentei e ataquei aquele javali, me alimentei de todo sangue daquela criatura.
Depois de me alimentar o homem misterioso que me acudira apareceu, fitou-me e me perguntou – Estás satisfeito? – Ignorei a pergunta que ele me fez e formulei outras duas – Quem é você? E você sabe o que está acontecendo comigo? – E com a calma e serenidade que a idade lhe trazia ele respondeu – Meu nome é Toravix e sou um druida, e acho que sei o que está acontecendo com você.
Aquele velho me disse o que eu me tornara, Toravix também não sabia muita coisa sobre vampiros, mas seu conhecimento era essencial para me manter afastado de problemas. Vivi com ele até sua morte. E um pouco antes de falecer, já nos derradeiros suspiros, ele disse-me algo que só vim há compreender um pouco depois – Gaius, o que você se tornou, não é a base do que você poderá ser, você se tornará aquilo que desejais, diferentemente do que és. Depois de sua morte, saí da Gália e rumei para a Grécia. E essa é a história de como me tornei um vampiro.
Sempre vivi me escondendo e procurando a redenção por um pecado que não cometi. Tive que abandonar minha família, meus amigos e minha legião, perdi tudo que eu mais amava na vida.
Se eu falar que nunca me alimentei de sangue humano eu vou estar mentindo, a fome é algo incontrolável. No entanto, lutei muito contra esse extinto que é muito forte em mim, por ser um vampiro de primeira geração, hoje consigo um controle maior, quando sinto sede de sangue – o que ocorre três ou quatro vezes por semana – sempre procure animais para me satisfazer.
Nunca me apaixonei, não me dei esse direito, não queria amaldiçoar ninguém com o fardo que carrego e muito menos procriar, não queria que meus filhos fossem vampiros. Porém, o destino me deu uma grande rasteira. Conheci alguém especial.
Ela era uma caçadora e estava me perseguindo. Eu consegui encurralá-la e já estava disposto a tirar-lhe a vida. Porém, olhei nos seus olhos e não sei o que me deu na hora, senti uma tremedeira, eu já tinha feito aquilo muitas vezes com outros caçadores, já era rotina.
Eu estava com a besta apontada para a cabeça da moça, era só apertar o gatilho e pronto, mas não consegui. Enquanto minha mão continuava a tremer meus olhos começaram a sair lágrimas, nem me lembrava mais como era chorar, fazia muito tempo que isso não acontecia.
Ela estava sem reação, imagino que nunca tinha visto um vampiro chorar – Atire e acabe logo com isso – disse ela. Eu cheguei perto de seu ouvido e sussurrei um local e horário a ela. Depois disso, desapareci na escuridão da noite.
A partir daí nos conhecemos e nos apaixonamos. Ela parou de caçar e eu me entreguei a ela. Juntos, decidimos procurar uma cura, qualquer coisa que tirasse esse carma de minha vida.
Há dois anos descobrimos uma conspiração em torno de uma singular lenda. Era sobre a origem dos lobisomens e dos vampiros, algo que poderia ser perigoso em mãos ambiciosas.
Achamos isso um absurdo a princípio. Porém estava havendo grande comoção entre vampiros, caçadores e os poucos lobisomens. Resolvemos acompanhar de perto o que estava acontecendo. Essa talvez fosse minha chance de redenção, quem sabe isso não me levaria à salvação de minha alma.








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